Um Ano. Um Tema volta a fazer paragem no Mosteiro de Santa Maria de Salzedas

Em setembro, a rubrica UM ANO. UM TEMA permanece na Rede de Monumentos Vale do Varosa e no Mosteiro de Santa Maria de Salzedas e detém-se no panteão familiar dos Coutinho, titulares do condado de Marialva, através do estudo de dois túmulos que se encontram embutidos em cada uma das paredes da entrada lateral sul da igreja, do lado oposto do muro para onde foi tresladado, no século XIX, o túmulo tradicionalmente atribuído à fundadora do mosteiro, Dona Teresa Afonso, em destaque no mês de agosto.

Apeados do seu contexto original por sucessivas campanhas de obras ocorridas no interior da igreja a partir do século XVI, tal como no exemplar anterior, apenas uma das faces longas de cada um dos túmulos se encontra acessível, não sendo possível determinar, na ausência de um trabalho de prospeção arqueológica, se as respetivas arcas se conservam embutidas na parede.

Os túmulos armoriados de Salzedas traduzem de modo muito evidente a importância que tinha, para além da escolha do local da sepultura, o uso da heráldica, como principal sinal de identidade e de afirmação de poder, fenómeno a que os Coutinho eram particularmente sensíveis, pelo menos desde a refundação da linhagem em finais do século XIV, até meados do seguinte, quando se consolida a sua posição no topo da pirâmide social nobiliárquica.

Com efeito, os Coutinho descendem de um couteiro (funcionário administrativo), Estêvão Martins, que ascendeu à nobreza por casamento com uma dama da família Fonseca, D. Urraca Rodrigues, que era detentora do couto de Leomil. Dessa forma, Estêvão Martins tomou posse de algumas jurisdições nas terras do couto, cuja insignificância terá dado origem à alcunha “Coutinho”, com que passaram a ser conhecidos os seus descendentes.

É a partir do neto, Vasco Fernandes Coutinho, escudeiro de D. Pedro I, que a família progressivamente ascende até conseguir um lugar entre as principais famílias do reino, constituindo as sepulturas conservadas em Salzedas uma marca inequívoca do poder e domínio que os Coutinho detiveram na região.

Em 2016, o Museu de Lamego divulga a sua tumulária e alarga a rubrica “Um Ano. Um Tema” aos monumentos Vale do Varosa, constituindo esta mais uma oportunidade de investigação e de divulgação do património da região.

www.museudelamego.pt

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