Lançamento do “Diário dos vestígios…”

Meus caros amigos,

No dia 20 deste mês, a partir das 19 h, estarei, juntamente com Rubens Matuck, lançando o livro "Diário dos vestígios do dia", no Istituto Europeo di Design (rua Maranhão, 617). Rubens Matuck é um artista cuja obra é feita de enigmas,e alumbramentos e – este é o mistério e o prazer – os enigmas são alumbramentos.
A seguir, algumas frases destacadas do meu ensaio sobre o artista.
E, em anexo, para os que quiserem, o ensaio sobre o Matuck que, espero, por simetria ao artista, seja também constituído de enigmas e alumbramentos.

Frases destacadas
1.

Talvez, intimamente, alguns artistas queiram escrever o nome sagrado. Descobrir o oculto. A luz em alguns artistas, como Velázquez, não parece uma mensagem sagrada?

Matuck é fascinado pela caligrafia, pelo grafismo, pela tipologia. A letra não é o início de tudo?

2.

A nossa extensão qual será?

É como se Matuck esquecesse o corpo, ou eliminasse o corpo por não ser referência confiável. Nele, no artista Rubens Matuck, o que somos é, talvez, a aceitação do todo. Somos a aceitação e, portanto, somos parte do todo.

3.

Certamente Rubens Matuck não é um artista que pretenda ter tudo sob controle. Não existe um projeto a ser cumprido, mas um projeto que circunstancialmente se delineia a medida que incorpora partes do todo. Rubens Matuck é forçosamente o artista do fragmento.

4.

Rubens Matuck é o polo oposto deste mal estar da nossa civilização. Como poeta itinerante, Matuck vivencia a história como um mitologema e cria ou recria, com o seu rastro, um novo mito. A nossa época refaz a fisionomia do viajante, do errante, daquele que passa e por onde caminha propícia a formação de núcleos de vivência poética.

5.

Neste percurso ininterrupto e nesta movimentação quase perpétua do artista, ele é um narrador. Ele conta histórias, ele desenvolve formas narrativas, ele registra o cotidiano, ele discute a linguagem e os modos da linguagem, ele opera na área do desenho como os velhos mestres.

6.

Em Rubens Matuck a sua caligrafia, os seus manuscritos, formam ondas sucessivas, marés, movimentos marítimos, balançar de águas. Elas são essencialmente visuais, ondulantes, incessantes, intermináveis, como alterações nas dunas. A paisagem é sempre a mesma, mas nunca é igual. O vento a desenha a todo o momento e a referência imutável é só, eventualmente, a do contemplador.

7.

Não me lembro de ter conhecido um artista mais envolto no tempo. Como uma semente. Às vezes, dobrado sobre si mesmo, outras tantas, em gloriosa expansão, ele é seminal de si mesmo.

8

Logo após, desenhos de mulheres feitas com o pincel num único movimento negro, num traço onde se adivinha que o pincel no seu percurso jamais saiu do contato com o papel. Em um momento dado o pincel e o braço do artista eram uma só extensão e ele olhava para a forma que se delineava com olhos distraídos, pois a sua alma estava prisioneira da forma ideal que adivinhava em algum lugar do cosmo, em algum lugar de si mesmo.

Jacob Klintowitz

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