Evocando Mário Cesariny – Inauguração simultânea de exposições na Casa da Liberdade – Mário Cesariny e Pe rve Galeria

"THE ART ist PRESENT" de Regina Frank

Catálogo da exposição

EVOCANDO – Mário Cesariny

Obras em Exposição

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Texto da Sra. Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa Dra. Catarina Vaz Pinto,

publicado no catálogo da exposição inaugural da Casa da Liberdade – Mário Cesariny em 2013.

Mário Cesariny, máquina de passar vidro colorido

“Sou um homem/ um poeta/ uma máquina de passar vidro colorido/ um copo uma pedra/ uma pedra configurada/ um avião que sobe levando-te nos seus braços/ que atravessam agora o último glaciar da terra”.

Assim se definia Mário Cesariny de Vasconcelos no início do seu poema Autografia, ele que foi um dos maiores expoentes do surrealismo e da liberdade artística em Portugal. É em sua justa homenagem que a Casa da Liberdade-Mário Cesariny, localizada no lisboeta bairro de Alfama, vem assinalar os sete anos decorridos sobre a sua morte através da abertura de um segundo espaço expositivo.

Cesariny foi poeta e pintor. E, também, crítico, ensaísta e tradutor – ou poeta, surrealista e tudo. Nasceu e morreu em Lisboa, e nela viveu apaixonadamente todas as dimensões da vida, da sua vida: de espírito vivo e inconformista, com uma incessante paixão pela palavra, pela arte e, sobretudo, pela liberdade.

Foi nas tertúlias dos cafés lisboetas que descobriu primeiro o neo-realismo, com o qual rompe, de modo irónico, em Nicolau Cansado Escritor, poema reunido em Nobilíssima Visão, envolvendo-se depois no movimento surrealista, que o levou a Paris, em 1947, onde conheceu André Breton.

Foi fundador do Grupo Surrealista de Lisboa como forma de protesto libertário contra o regime e as convenções vigentes e cujas reuniões decorriam habitualmente na pastelaria Mexicana, o qual incluía, entre outros, Alexandre O’Neill e António Pedro.

Mário Cesariny define o surrealismo como uma “Revolução” em todos os domínios: moral, político e estético. Segundo o poeta, o surrealismo não é um método ou escola, mas uma forma de insurreição permanente, na arte e na vida. Não é um período histórico, uma vez que os princípios de liberdade, subversão e amor que lhe dão substância emergem em diferentes épocas.

Como homem livre que sempre foi, criou mais tarde um grupo dissidente do primeiro, denominado Os Surrealistas, do qual fizeram parte, entre outros, Artur do Cruzeiro Seixas, António Maria Lisboa, Mário Henrique Leiria e Pedro Oom.

“Cadáver-esquisito” e “despintura” foram técnicas surrealistas muito usadas por Cesariny na sua obra plástica que o ajudavam, segundo as suas próprias palavras, a libertar-se das convenções do gosto, procurando a autonomia do gesto e da cor. Libertou-se também na poesia escrita, numa época em que o “tecto estava muito baixo”, referindo-se o surrealista à falta de genialidade artística da sua geração (in Autografia, documentário de Miguel Gonçalves Mendes, 2004).

Amor, revolta, liberdade, desejo, são palavras indirectamente presentes na sua obra e que ele próprio utiliza para a caracterizar. Os seus poemas, em forma de pintura ou em forma de escrita, são uma espécie de grito, de expressão libertária. Afinal o que importa não é a literatura/ nem a crítica de arte nem a câmara escura/ (…) Que afinal o que importa é não ter medo (Pastelaria).

Importante artista plástico surrealista, também extraordinário poeta e homem eminentemente livre, Cesariny mereceu reconhecimento público através do Grande Prémio EDP de Artes Plásticas (2002), do Grande Prémio Vida Literária (2005), e da Grã-Cruz da Ordem da Liberdade (2005).

Detendo um lugar central na poesia portuguesa do século XX, está consagrado no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, destacando-se pela sua “poesia espontânea, subversiva, fulgurante, animada por um sentido de contestação aos comportamentos ou princípios mais institucionalizados ou considerados normais no campo do pensamento, da cultura, dos costumes, do erotismo”.

Maria Helena Vieira da Silva assim qualifica Mário Cesariny:

Vejo a poesia do Mário muito forte e muito densa … mas vejo

e não sei traduzir em palavras, o que vejo

É uma poesia única, como o Mário é Único: em todo o sentido

da palavra ((PHALA, Mário Cesariny, Assírio & Alvim).

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