Falemos de FOLCOLRE | A CONFUSÃO ESTÁ LANÇADA

A confusão está lançada e em nada beneficia o folclore.
De 8 a 11 de Novembro terá sido realizada uma acção de formação, que naturalmente aplaudimos apenas lamentando uma omissão, pois que a seguir a Inventário de Património Cultural Imaterial devia ser especificado “regulado pela Convenção da UNESCO de 2003”.E isto porque o Folclore também é Património Cultural Imaterial –foi-me confirmado na própria UNESCO.E se bem repararmos, entre os preferenciais destinatários não conta gente do folclore, a não ser que como tal se considerem as associações de defesa do património.
E tudo isto porque a referida Convenção nunca foi devidamente explicada,

Confesso que me surpreende o anúncio da citada acção de formação no sítio da Federação, mas muito mais que seja tema do seu próximo Congresso.
De referir que dos objectivos da acção de formação em referência, consta a alínia seguinte:Salvaguarda do PCI-Da parte etnográfica ao empoderamento dos detentores do património cultural imaterial:PCI. E como o meu velhinho dicionário da Porto Editora não me explica o significado de “empoderamento” tive que recorrer ao Ciberdúvidas e fiquei então a saber que em português corrente aquela frase pode entender-se como”da discrição dos usos e costumes populares até à valorização dessa herança cultural”
Fiquei então a saber que lá em cima há quem entenda que partindo do tradicional e do identitário se chega valorizado ao
“constantemente transformado e recriado”, ao globalizado. E globalizado porque embora “constantemente recriado em função do seu meio” este não está imune à globalização”

Mas vejamos, mais uma vez, como a Dr.ª Clara Bertrand de Carvalho,— para mim a voz mais credível sobre o tema, até pelas funções que desempenha— explica o património cultural imaterial regulado pela Convenção da UNESCO de 2003:

Sendo um património fundado nos conhecimentos e práticas, não se caracteriza pela autenticidade mas sim pela constante transformação e recriação, não se funda no tempo e na história mas antes na prática recorrente e na transmissão intergeracional, não visa preservar coisas mas salvaguardar saberes e conhecimentos. O olhar do sujeito desvia-se do objeto patrimonializável para se centrar no criador do património, que é chamado a ter um papel ativo em todo o processo

Será difícil de entender?

Mas quem é, afinal, Clara Bertrand de Carvalho?
Clara Bertrand Cabral é antropóloga e Mestre em Ciências Antropológicas. Realizou pesquisa nas áreas de etnografia, nanotecnologia, museologia e património. Desde 2005 é responsável pelo sector da Cultura na Comissão Nacional da UNESCO onde, entre outras atividades, acompanha os assuntos relativos às Convenções da UNESCO. Desde 2007 tem vindo a realizar trabalhos de investigação sobre a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial e a sua aplicação em Portugal e a colaborar com diversos organismos e universidades na sua divulgação. Publicou vários artigos, é membro de diversos comités e conselhos científicos e é autora do livro “Património Cultural Imaterial. Convenção da UNESCO e seus Contextos” (Edições 70, Col. Arte & Comunicação, 2011).

LINO MENDES

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