Inaugura 3ª feira a Exposição “Triple F Land” | Obras de Ana Hatherly, Lourdes Castro, Vieira da Silva, Re gina Frank, Salette Tavares, Rosa Ramalho, Maryam Al Qassimi, entre outras.

PERVE GALERIA| Localização: Mapa | HORÁRIO: 2ª feira a Sábado, das 14H às 20H | Entrada Livre

Clique para ver: Imagens em Alta Resolução |Catálogo

Sinopse |A Perve Galeria apresenta de 6 de Junho a 15 de Julho a Exposição "Triple F Land / Na terra do Triplo F". Uma exposição que procura fazer uma inflexão sobre a noção (herdada do estado Novo) da terra dos três F’s, numa altura em que parecem ter estado de regresso com redobrado fervor.

Através dela, 32 artistas mulheres, de vários países, apresentam uma perspetiva feminina de ver o mundo na contemporaneidade, colocando em evidência as “formas e a figuração no feminino”.

O conjunto das obras patentes, ascende a mais de uma centena, estando organizadas em diferentes núcleos (surrealizante, abstratizante, popular, naif, ilustração e múltiplos) onde se destacam nomes relevantes da arte portuguesa e internacional como Ana Hatherly, Lourdes Castro, Vieira da Silva, Regina Frank, Salette Tavares, Rosa Ramalho ou Maryam Al Qassimi.

Se algumas das obras integram há muito o acervo da Perve Galeria, como são os casos das obras de Gracinda de Sousa, Isabella Carvalho, Pilar Martin e Reinata Sadimba, outras, pelo contrário, são inéditas, tendo sido criadas especificamente para esta exposição. São exemplo disso as da autoria de Ana Maria, Sónia Aniceto e Maryam Al Qassimi. Esta última, a expôr pela primeira vez em Portugal, depois de recentemente ter exposto em Londres, tem a particularidade de ser membro da casa real de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, onde, brevemente se realizará também uma exposição sua com a cooperação da Perve Galeria.

Curadoria: Carlos Cabral Nunes.

O mistério reside na fragilidade

com que o olhar nos toca

As raízes oscilam pela consciência
e um grito transparente esvoaça
entre galhos e sulcos

O mistério reside a caminho
do rosto
no beijo de lume que acende
o silêncio – se abeira do tempo
e enche as montanhas de
andorinhas verdes e pirilampos
roxos

M. Conceição Baleizão, 4 de Maio de 2002

Passou mais de década e meia sobre a exposição “Sulcos roxos do olhar”, que apresentámos na Perve Galeria e foi objecto de uma (primeira) reportagem que o programa “Acontece”, do saudoso Carlos Pinto Coelho, fez sobre o trabalho de miscigenação artística e cultural que iniciávamos, experimentávamos, então na galeria.

Dessa exposição (ver em: www.pervegaleria.eu/PerveOrg/Sulcos/index.html), toda ela feita em torno de artistas-mulheres, cujo título deriva de um poema-magnífico-inédito de Conceição Baleizão feito propositadamente para a mostra, sobra uma aplicação-instalação interactiva de que gosto especialmente e acho passível de ser integrada numa qualquer história que se venha a fazer sobre este tipo de desenvolvimento artístico em Portugal, sem demérito algum.

Estávamos no ano da graça de 2002 e a internet era ainda uma miragem para muita gente mas nós, por aqui, fazíamos conteúdos complexos que exigiam um constante inventar de soluções para que pudessem ser acedidos através das ligações de muito baixa velocidade que eram a realidade da época. Essa instalação teve de ser amputada, na versão online, da componente poética interactiva, restando apenas alguns recursos multimédia na versão que ainda hoje é possível encontrar na internet (em: www.pervegaleria.eu/PerveOrg/Sulcos/inst.html). Fizémos, na altura, uma edição artística, muito pequena, dessa instalação completa em formato CD-Rom personalizado, algo que era uma espécie de entidade alienígena no espectro geral das galerias, não apenas por cá. Claro que, com o passar dos anos e com a persistente estranheza com que eram olhadas essas “invenções multimédia”, a par com o imenso trabalho e nenhum retorno que davam, fomos deixando cair a componente multimédia interactivo nas exposições que fomos apresentando, especialmente a partir de 2005.

Nessa altura ainda o nome era apresentado completo e tal como consta na placa artesanal, feita em ferro pintado, que encima ainda a entrada das instalações: Perve Galeria – Arte e Multimédia”. Recordo, mais tarde, de uma das últimas instalações que apresentámos, do Alemão Andreas Treske, que vivia na Turquia e enviou um pacote que julgavam ser uma bomba, na alfândega e, por isso, foi um sarilho conseguir mostrá-la a tempo. Mas lá se fez e não esquecerei a presença e experimentação que dessa obra fez Cesariny. Essa terá sido das últimas vezes que apresentámos obras interactivas de forma regular mas a verdade é que continuámos a reunir material, muito dele inédito, assim como participámos na construção de vários protótipos de instalações interactivas feitos a meias com autores tão fascinantes como o grego Stelios Kourakis ou o britânico Chris Hales, que esteve connosco por diversas vezes e com quem apresentámos obras no 2 Encontro de Arte Global, no Panteão Nacional, em 2008 e, em 2009, no ciclo dedicado aos 60 anos da 1ª exposição de “Os Surrealistas” que realizámos em vários locais nacionais.

Vem isto a propósito de estarmos este ano a enfrentar um momento de transição. Não apenas nós, em particular, na galeria mas o mundo em geral. Urge refletir sobre o estado do mundo e de forma mais próxima, interessa-nos refletir sobre o estado das artes, especialmente numa altura em que parecem estar a ser conduzidas num sentido unívoco, sem contraditório. Recusamos esta história de arte que se quer fazer passar por cima dos esqueletos encontrados em armários, despidos, poderia ser uma frase de Cesariny mas é minha, saída agora de algum sítio recôndito. A verdade é que aquilo a que se quer chamar de arte contemporânea estará ainda pousando nalguma espécie de caverna platónica, tudo sombras alongando-se.

Recuperamos, pois, esse momento de 2002 para lhe dedicar novos “Sulcos roxos do olhar”, ampliando-se o conceito, através da inclusão de mais artistas e de novas geografias mas mantendo a feminilidade do gesto pictórico primordial. Nas palavras poéticas de Cruzeiro Seixas, escritas para assinalar essa mostra, continua a existir o fundamental de um legado que se quer a perpassar o tempo pois que é na dicotomia entre o negrume e a claridade evidente que pode ressurgir um qualquer assomo de infinito toque (feminino) essencial. (por Carlos Cabral Nunes, 2017)

A Luz é sempre pouca.
Vive no fundo das cavernas
e é louca.

Mas nada há mais
luminoso que um corpo
reinventando todas as cores.

Que fazer com a sombra
imensa da noite ?
Não há respostas
pois a luz é sempre pouca
e apaixonada está
pelas negruras da noite.

É cedo é cedo ainda
para saber o que esconde
e nos revela a luz
pois que é louca.

Áfricas. 60 / Cruzeiro Seixas – 2002

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