LEONORA ROSADO – DÓI AINDA

Dói ainda

Tempo de nenhuma vontade

Tempo de papoilas que se desfazem

E de escorpiões a subir pela garganta

Dói ainda

A indiferença líquida

Das asas de um anjo terreno

Tempo de deixar arder os versos

Chegar-lhes o fogo

Subir-lhes a bainha

Vi pássaros encostados à

Linhagem da sua sombra

Do seu voo

Dói a impermanente estrada

Para nenhures e os calcanhares rotos

De tanto abrir socalcos

Dói acima de tudo ser eu

E não haver espelho que negue o que sou

 

 

Ler em: GAZETA DE POESIA INÉDITA https://ift.tt/2lWUpf8

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