ALBERTO PEREIRA – “AS MÃES”

As mães,

a mais alta fisionomia celeste.

 

O útero,

plataforma sagrada

minando as células de girassóis.

 

Depois o mundo.

 

A linguagem inaugural da garganta,

sísmico fôlego

abrindo as janelas às pálpebras.

 

Distante,

ainda com a ignição flácida,

a puberdade das falésias.

 

O tempo,

recital de fábulas

na exultante corrida do sangue.

Sem receio da queda,

sílabas íngremes.

 

Acordei tarde para o crude.

 

Os homens,

nebuloso solfejo

nos tendões do poema.

 

Infligimos rudes golpes em tudo.

 

Morremos sempre

com uma faca a farejar a Primavera.

 

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