AGULHA REVISTA DA CULTURA # 116 | Agosto de 2018


• AS ÁRVORES ESVOAÇANTES DE AUGUSTO MEYER

Uma das peças marcantes constitutivas da poética do brasileiro Augusto Meyer (1902-1970) é a perene evocação da infância, sem que isto se constitua em acento saudosista. Pelo contrário, o retorno ao passado acentua a metáfora da liberdade e da imaginação, trazendo-a para o presente como uma fonte inesgotável da existência. Tudo nele aponta para essa parecença de que o mundo nasceu de novo. Há um poema em que diz: Volúpia da roupa nova e da carne lavada. / Meu passado é leve como a luz loura. / parece que vão voar as árvores no ar / e eu sou como o balão mal seguro na mão.

Literatura e poesia (1931) e Folhas arrancadas – este último escrito entre 1940 e 1944 e incluído no volume, hoje raríssimo, de Poesias 1922-1955, editado pela Livraria São José Editora em 1957. Em estudo dedicado aos traços da infância do poeta, Carlos Dante de Morais, alinha, precisamente na prosa poética de Literatura e poesia: ronda de gênios alados e personagens literários, impressões de estampas, pequenas histórias fantásticas, travessuras filosóficas, cenas da infância, pessoas familiares, a poesia das coisas cotidianas, e tal conjunto de faces ou truques de linguagem definem toda a poética de Augusto Meyer.
ARC116AM00Capa03.jpg
Dois livros de Augusto Meyer se destacam pela presença da prosa poética:
O poeta foi igualmente exímio ensaísta, gênero em que se destacam seus primorosos estudos sobre Machado de Assis. Em recolha de seus primeiros artigos para imprensa, cujo título é de imenso acerto:Os pêssegos verdes (2002), Tania Franco Carvalhal aponta que característico de sua indagação é o retorno às fontes, compreendidas como o necessário movimento de recompor a tradição, sem estabelecimento de hierarquias. E também nos lembra que os ensaios de Augusto Meyer constituem ainda valioso documento de uma época na qual a crítica era exercida em sua plenitude, como análise de textos e de questões literárias em profundidade e expressão de juízo de valor, tendo espaço garantido nos grandes jornais do país.
Falam por si só, tais características, na poesia e na crítica literária, como imperativos a justificar a presente edição. Para acompanhar Augusto Meyer convidamos a artista neozelandesa Rozi Demant (1983), situada, não sem frisar entranhável singularidade, naquela linhagem de um surrealismo pop. Lemos em nota à sua participação em The surrealism Website, de Adam McLean: Suas pinturas geralmente envolvem figuras femininas com uma notável semelhança com a própria artista. Estes são frequentemente mostrados usando lingerie e acompanhados por pássaros e vários animais. Ela cria tableaux, muitas vezes sombriamente iluminados, em que suas figuras misteriosamente interagem. Esse mundo mágico e realista é povoado de elementos idiossincráticos tirados da linguagem pictórica que ela criou.Geralmente há alguma narrativa subjacente ou aspecto programado em seus cenários. Seu trabalho é muito detalhado e preciso. Ela tem um domínio de moldagem e iluminação de formas tridimensionais, criando perspectivas e mudanças de escala confiáveis.
Finalizamos sugerindo visita à sua página web: www.rozidemant.com.

Os Editores

*****

• ÍNDICE

AUGUSTO MEYER | Discurso de posse na Academia Brasileira de Letras
http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/augusto-meyer-discurso-de-posse-na.html

AUGUSTO MEYER | Do leitor
http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/augusto-meyer-do-leitor.html

AUGUSTO MEYER | Hölderlin
http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/augusto-meyer-holderlin.html

AUGUSTO MEYER | Jorge Luís Borges

http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/augusto-meyer-jorge-luis-borges.html

AUGUSTO MEYER | José de Alencar e o romantismo autodestrutivo

http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/augusto-meyer-jose-de-alencar-e-o.html

FÁBIO LUCAS | Caminhos da crítica de Augusto Meyer
http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/fabio-lucas-caminhos-da-critica-de.html

OTTO MARIA CARPEAUX | O crítico Augusto Meyer

http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/otto-maria-carpeaux-o-critico-augusto.html

SILVIANO SANTIAGO | Reedição de Augusto Meyer lança luz peculiar sobre Machado de Assis

http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/silviano-santiago-reedicao-de-augusto.html

TANIA FRANCO CARVALHAL | Augusto Meyer, leitor de Machado de Assis
http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/tania-franco-carvalhal-augusto-meyer.html

ANTONIO OLINTO | Augusto Meyer, um mestre do ensaio
http://arcagulharevistadecultura.blogspot.com/2018/08/antonio-olinto-augusto-meyer-um-mestre.html

ARC116AM00Capa01.jpg ARC116AM00Capa02.jpg

Artista convidada | Rozi Demant (Nova Zelândia, 1983)

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s