TIAGO D. OLIVEIRA – SOBRE CAVALOS NA PONTA DO LÁPIS

 
 
dissera que o sinal da cruz
era pela hora torrencial
a despertar as entranhas
ao mínimo conceito anal
de uma gente a morrer.
quando sacrificaram a carne,
o sangue ornou os caminhos,
cartografias do tempo flexionado
nos gritos, nas cenas
do segundo ato, assim.
repetindo o sinal da cruz,
o coração bateu na boca
quando o gelo do cano da arma
encostava e caminha em sua pele.
quase como uma forma de afeto,
dada ao riso de seu feitor.
uma vida inteira passada
a limpo até o desfecho,
atravessar a sinaleira 
sem olhar para trás:
assim quereria o poema.
saberia sobre o verso
sem precisar inventá-lo.
imaginando uma primeira lição,
deu-lhe um soco, o velho,
na força do estômago,
dizendo-lhe sensibilidades
– vai e agora escreve,
não precisa inventar
mais nada. nada.  
 
 

 

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