CLÁUDIA R. SAMPAIO – “UM OUTRO NOME…”

Um outro nome que não seja solidão

Um outro nome que nos distraia das nódoas,

que nos faça cair de pé como os gatos

 

Que fosse este sítio cheio de plantas,

ou o tabaco espalhado pelas horas,

uma outra coisa disfarçada

 

Poderia ser um peixe de luz laranja

ou esta camisola que continuo a vestir

apesar do buraco que alastra,

ou uma caixa de comprimidos servindo de jarra

a um bouquet de flores de plástico

 

Algo que nos fosse mais gentil

uma solidão com utilidade

Poderia, por exemplo, usá-la com graça,

pendurada como brincos

dar-lhe dentadinhas separando os gomos

 

Uma outra coisa que nos servisse de lição

que nos fizesse ajoelhar com o som dos átomos

ou falar de amor num autocarro cheio de gente

e não ter medo de sair morto

 

Uma outra palavra que nos fizesse amar

isto de se ter um ventre vazio

ou cheio de plantas inventadas

 

Sim, uma outra coisa

como aquela mulher aparentemente viva

e um homem para confirmar

 

Repara como é precioso este momento de levantar o braço

levar a colher à boca

dizer adeus e não voltar

 

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