RAMON CARLOS – METÁSTASE

 

 

A carta na manga

Com o assovio desfalcado

Dilacerando os espaços dos dentes

Assim se curva o desprovido confete mercúrio

Ao se deparar com Críton sonâmbulo

Ajustando a ferradura da fuga

No cachorro Bartolomeu

A carta na manga

Como uma imensa lamúria aos pés de Péricles

O choro que o mar despertou e jorrou

Por entre as antigas cantigas de ninar

Que assustaram primos, ao ponto de vê-los estáticos

Nos seios fartos da tia Melinda

A carta, a manga

A fivela e o coração de vaca

Aspirante ao título de jovem audaz no cemitério voador

Aspirado pelo prepúcio de Zeus

Tornando-se gêmeo siamês do Holocaustrofóbico

Caem paródias, caem sonetos, caem morcegos

Miro a recém formada imagem do cabeça de porco

Vou até Boccaccio, sucumbo à peste

Me vejo dentro da marmita do besouro

É feijão, arroz, carne e alface

O sabor é delirante se não mastigado

Está calor, úmido, e a rua parece investigar seu passado

Empresto uma nota de dez

Durmo duas horas

Descongelo a geladeira

Estendo as roupas

Prescrevo meu dia

Como sempre,

Pela última vez

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