ANTÓNIO FERRA – SHOPPING

 

 

A senhora do quarto andar,

setenta e oito anos até ao rés-do-chão,

setenta e oito anos até lhe doer o vento,

 

como se a retrosaria, seu destino,

fosse o fim das linhas de conversa

e o pó em casa acumulado

fosse espelho da fraca força

para dar brilho aos retratos

da cómoda do quarto,

 

fica-se pela rua que lhe fala

que lhe amortece a dor nos pés

e lhe esmaga as palavras em desuso

embrulhadas num robe rosa

cheio de históricos borbotos,

 

adormece em frente à televisão

com imagens de um shopping distante

soletra farmácia, talho e drogaria,

espreme laranjas pelas tardes

e toma o café fraco por causa da tensão.

 

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